segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

[à] [uma] [flor]

Parei no tumulto enquanto estava em Las Vegas, decidi ir [à]quelas cabines vermelhas de telefone, o copo de uísque ainda sob a bancada junto a alguns dólares que restaram de uma noitada. Liguei pra agradecer. A garota pálida enfeitada com os cabelos negros dissera que se sentira na minha leitura. Entre centelhas, moças devassas e pernas de pau, ela se encontrou. Quanta honra! Minha poesia atravessou minha pele e se expôs ao nu. Ela, h[uma]na genuína, decifrou e entre lindas metáforas me descreveu. Num instante minha carne se dissipava num céu azulado oscilante de inquietude e calma. Ela me trans[flor]mou!

pontual Dani, depois de “Presente de Deus”)


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pão, circo e carnavais

Foi nessas pilantrices de carnaval que te bebi. O Galo da Madrugada, naquele dia, não foi capaz de me tirar de casa: o sofá frio era esquentado pelo meu corpo nu e dopado com alguns goles de algumas bebidas misturadas... teu gosto agora é ruim, mas, ainda assim, te bebi e não me embriaguei. Tu me propunhas pão e circo, mas o que me deixaste foi apenas a boca adormecida nas madrugadas de carnaval. O pior é saber que fui bebido primeiro e pocilga nenhuma te foi capaz de não desdenhar-me. E meu trunfo torto na manga é voltar às maracutaias embaladas ao frevo na próxima madrugada e, quem sabe, encarrilhar outras bebidas a outros amores.

sábado, 11 de dezembro de 2010

(...)

Os tons bonitos numa imagem triste: um homem de costas figurando, possivelmente, um semblante radiante que não está à amostra.Uma moça dedicada se dedicou. (...)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Abraço Frouxo

Os pássaros cantaram nesta noite... foi bem quando tu me deste um abraço frouxo: tudo foi ficando distante, aéreo, mas, ainda assim, as sombras gostaram, elas gostam do som que os pássaros fazem. Querem mais música no show da meia noite. Eu gosto das sombras, mas lembro bem de me divertir ao ritmo do meu estalar de dedos durante o sol ao meio dia, chutando latas e catando pedras na contramão. Também lembro de mendigar por um abraço firme, mas é tarde para cobrá-lo: acho que prometi engolir o sol em prol das sombras. Elas me acalentam.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O homem que ficou com o casaco

Ela tinha a companhia dele nas noites turvas. Costumavam conversar enquanto a poeirinha de frio subia pelas pernas no ritmo de cada passo dado. Subentendido nas palavras, estava, para assim dizer, o esquecimento dele: ele tinha o casaco, ela não. Um esquecimento digno de um homem frio. O balanço do queixo e o arrepio na nuca de quem revelava a precisão de, mesmo estando ali, ir embora e, ainda assim, insistir em cada palavra ouvida. Ele não podia negar que mais frio ainda estava o frio na barriga. O frio de quem ama e não viola-se. Trema, homem, mas não tema! O amor é cálido de mais para se abafar num tecido de lã. (...)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Álibi

Surjo dos emaranhados onde as corujas se enfileiram uma-a-uma na dança de contorcer as cabeças. Não é um lugar estranho: negrume, somente. Pior és tu que surges de lugares banais e coloridos de sonhos meus, aliciando meus desejos para o teu vigor. Ordinária esquisitice de cair nas tuas ratoeiras e me danar sob o teu faro, foi onde errei e não erro mais. Não sou réu confesso, mas projeto maltrapilhamente nunca mais sofrer.

domingo, 7 de novembro de 2010

Welcome to my bath

A água gelada escorre. A cabeça quente, também. Ouço, bem ao fundo, a voz sofrida de Damião Arroz seguida da Lisa:
- Nothing unusual, nothing's changed: just a little older, that's all.
Será? Nesse mundo de manada, quem decide viver só é velho.