sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pescaria

Enquanto fecho os olhos, vejo meus peixes tímidos nadando em lágrimas, escorrendo na face já disfarçada e, finalmente, se debatendo no solo à procura de suspiros que demandem vida. Aquelas costuras invisíveis a fio de náilon entre nós costumava nos trazer sardinhas: não eram salmões, mas eram diferentes das botas velhas de hoje... o fato é que a nossa tenda de peixes faliu, você não vendeu nada, apagou as luzes e foi embora só com o troco.

A gaita

Ali, bem ali, algo se desvencilhava dos ferros e se aturdia em poder de pássaro: voava sonoro que o céu mantinha inveja. Desse modo, então, o céu decidiu refleti-lo em nuvens, imitou, imitou... o vento soprou e fez barulho: desmoronou minha casa de taipa e encantou meus ouvidos. (...)



segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

[à] [uma] [flor]

Parei no tumulto enquanto estava em Las Vegas, decidi ir [à]quelas cabines vermelhas de telefone, o copo de uísque ainda sob a bancada junto a alguns dólares que restaram de uma noitada. Liguei pra agradecer. A garota pálida enfeitada com os cabelos negros dissera que se sentira na minha leitura. Entre centelhas, moças devassas e pernas de pau, ela se encontrou. Quanta honra! Minha poesia atravessou minha pele e se expôs ao nu. Ela, h[uma]na genuína, decifrou e entre lindas metáforas me descreveu. Num instante minha carne se dissipava num céu azulado oscilante de inquietude e calma. Ela me trans[flor]mou!

pontual Dani, depois de “Presente de Deus”)


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pão, circo e carnavais

Foi nessas pilantrices de carnaval que te bebi. O Galo da Madrugada, naquele dia, não foi capaz de me tirar de casa: o sofá frio era esquentado pelo meu corpo nu e dopado com alguns goles de algumas bebidas misturadas... teu gosto agora é ruim, mas, ainda assim, te bebi e não me embriaguei. Tu me propunhas pão e circo, mas o que me deixaste foi apenas a boca adormecida nas madrugadas de carnaval. O pior é saber que fui bebido primeiro e pocilga nenhuma te foi capaz de não desdenhar-me. E meu trunfo torto na manga é voltar às maracutaias embaladas ao frevo na próxima madrugada e, quem sabe, encarrilhar outras bebidas a outros amores.

sábado, 11 de dezembro de 2010

(...)

Os tons bonitos numa imagem triste: um homem de costas figurando, possivelmente, um semblante radiante que não está à amostra.Uma moça dedicada se dedicou. (...)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Abraço Frouxo

Os pássaros cantaram nesta noite... foi bem quando tu me deste um abraço frouxo: tudo foi ficando distante, aéreo, mas, ainda assim, as sombras gostaram, elas gostam do som que os pássaros fazem. Querem mais música no show da meia noite. Eu gosto das sombras, mas lembro bem de me divertir ao ritmo do meu estalar de dedos durante o sol ao meio dia, chutando latas e catando pedras na contramão. Também lembro de mendigar por um abraço firme, mas é tarde para cobrá-lo: acho que prometi engolir o sol em prol das sombras. Elas me acalentam.