segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

[à] [uma] [flor]

Parei no tumulto enquanto estava em Las Vegas, decidi ir [à]quelas cabines vermelhas de telefone, o copo de uísque ainda sob a bancada junto a alguns dólares que restaram de uma noitada. Liguei pra agradecer. A garota pálida enfeitada com os cabelos negros dissera que se sentira na minha leitura. Entre centelhas, moças devassas e pernas de pau, ela se encontrou. Quanta honra! Minha poesia atravessou minha pele e se expôs ao nu. Ela, h[uma]na genuína, decifrou e entre lindas metáforas me descreveu. Num instante minha carne se dissipava num céu azulado oscilante de inquietude e calma. Ela me trans[flor]mou!

pontual Dani, depois de “Presente de Deus”)


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Pão, circo e carnavais

Foi nessas pilantrices de carnaval que te bebi. O Galo da Madrugada, naquele dia, não foi capaz de me tirar de casa: o sofá frio era esquentado pelo meu corpo nu e dopado com alguns goles de algumas bebidas misturadas... teu gosto agora é ruim, mas, ainda assim, te bebi e não me embriaguei. Tu me propunhas pão e circo, mas o que me deixaste foi apenas a boca adormecida nas madrugadas de carnaval. O pior é saber que fui bebido primeiro e pocilga nenhuma te foi capaz de não desdenhar-me. E meu trunfo torto na manga é voltar às maracutaias embaladas ao frevo na próxima madrugada e, quem sabe, encarrilhar outras bebidas a outros amores.